Ajuda
Este site publica números que os próprios municípios e o IBGE declararam. Alguns deles têm nomes técnicos que não se explicam sozinhos. Abaixo está o que cada um significa — e, quando a resposta não estiver aqui, para onde ir.
Por que aparece “—” no lugar de um número
Porque o dado não existe na fonte — e isso é diferente de ser zero.
No 3º quadrimestre de 2024, 2.326 dos 5.570 municípios consultados não entregaram o Relatório de Gestão Fiscal ao SICONFI. Isso não significa que gastem zero com pessoal: significa que ninguém sabe quanto gastam, porque o relatório não foi publicado.
Escrever “0” ali seria inventar um número, e é assim que um painel passa a mentir sem que ninguém perceba. O travessão é a recusa a fazer isso.
Mas nem todo travessão quer dizer a mesma coisa, e o site diz qual é qual em vez de juntar os três:
- Sem relatório entregue — perguntamos, e o município não publicou. É afirmação sobre ele.
- Ainda não consultado — nós é que ainda não perguntamos. É afirmação sobre nós, e some quando a coleta fecha.
- Presta contas como estado — o ente entrega o relatório, só que na esfera estadual. É o caso do Distrito Federal, que a estatística conta como município mas que não é um: ele publica o Relatório de Gestão Fiscal como estado. Marcá-lo como “não entregou” seria acusar de não prestar contas quem presta.
Despesa com pessoal, RCL e os dois limites
Receita corrente líquida (RCL) é o que sobra da arrecadação do município depois de descontar transferências que ele é obrigado a repassar. A RCL ajustada é essa mesma conta com os ajustes que a Lei de Responsabilidade Fiscal manda fazer — e é ela, não a bruta, o denominador do percentual publicado.
O percentual que este site mostra é despesa com pessoal ÷ RCL ajustada. A Lei de Responsabilidade Fiscal fixa dois patamares para o Executivo municipal:
- 51,30% — limite prudencial. Passar dele já proíbe criar cargo, conceder aumento e contratar.
- 54,00% — teto legal. O limite máximo propriamente dito.
Este site não recalcula o percentual. Ele vem calculado e declarado pelo próprio município e homologado no SICONFI. Recalcular criaria uma segunda verdade que ninguém assinou. E o site não interpreta, não acusa e não declara ninguém em descumprimento — mostra o número publicado ao lado do limite.
O que quer dizer “valor implausível”
É a marca que aparece quando o município declarou um percentual que nenhuma prefeitura pode ter: acima de 100% (gastaria com pessoal mais do que toda a sua receita) ou abaixo de zero (gasto negativo).
Os dois casos existem no dado real de 2024. Guaratinga/BA declarou 371,02%; Paripueira/AL declarou despesa negativa e, portanto, −19,35%. Não descrevem prefeituras em crise: descrevem formulários preenchidos errado.
E há um terceiro caso, que o percentual sozinho não revela: ele pode estar entre 0 e 100% e ainda assim não descrever a prefeitura, quando foi calculado sobre uma receita corrente líquida que o próprio município desmente. Ele declara a receita em dois relatórios diferentes, e no país inteiro as duas declarações batem — a mediana da razão entre elas é 1,04. Quando a receita corrente passa do dobro da receita líquida usada no cálculo — ou passa de 1,4 vez e o percentual saltou mais de 30% sobre a própria história do município, que é o salto que uma receita líquida subdeclarada produz —, o denominador está baixo demais e o percentual sai inflado. Um sinal sozinho não basta: há municípios com a razão alta e o percentual de sempre, e municípios cujo percentual subiu com a receita batendo — nesses, o número descreve a prefeitura e continua valendo. Aparecida/SP, que declarou entre 44% e 52% de 2020 até o início de 2024, declarou 93% no 3º quadrimestre de 2024 — com uma receita corrente duas vezes maior que a receita líquida usada na conta. São 14 casos assim na coleta atual.
Eles continuam sendo exibidos, e marcados. Corrigir seria inventar número; esconder seria escolher quais declarações você pode ver. Mas eles ficam fora das médias, do ranking e das frases de tendência, e o motivo é medido: são 40 declarações implausíveis entre as 3.244 entregues, e juntas elas puxam a média nacional em 1,22 ponto — de 45,33% para 46,55%.
Despesa por função, e o que é “liquidada”
Função orçamentária é a área em que o dinheiro foi gasto: educação, saúde, urbanismo, assistência social. São 28 funções fixadas pela Portaria MOG 42/1999, e todo município usa a mesma lista — é o que torna a comparação possível.
Liquidada quer dizer o que de fato foi gasto: o serviço foi prestado ou o material entregue, e a prefeitura reconheceu a dívida. É diferente de dotação (o que foi orçado, ou seja, a intenção) e de empenhada (o dinheiro reservado). Só a liquidada responde “quanto gastou”.
Os valores publicados aqui são do 6º bimestre de 2024, e acumulam o ano inteiro até ali — não são o gasto daqueles dois meses.
Por que a comparação é entre anos, e não entre bimestres
Porque o relatório é acumulado. O 6º bimestre já contém o 4º — medindo os 3.244 municípios que publicaram os dois, 63% do valor do 6º bimestre é literalmente o do 4º. Compará-los seria comparar um número com ele mesmo mais um pedaço, e a fatia de cada função mal se moveria: menos de um ponto percentual, na mediana.
Entre o mesmo bimestre de dois anos diferentes, os períodos não se sobrepõem, e a mudança é real. É por isso que a página compara 2023/6 com 2024/6.
E a página só chama de mudança um deslocamento de 1 ponto percentual ou mais. Abaixo disso ela diz que ficou praticamente igual — descrever movimento de meio ponto como tendência seria vender ruído como descoberta.
O que é o IDEB, e por que só a rede municipal
O IDEB é o índice do INEP que combina duas coisas: quanto os alunos aprenderam (a prova do SAEB) e quantos avançaram de ano sem reprovar ou abandonar. Vai de 0 a 10, e essa escala é a mesma em todo município do país — por isso os gráficos deste site usam eixo fixo, e duas páginas podem ser comparadas diretamente.
Este site publica a rede municipal, e não a rede “pública”. A diferença importa: a rede pública inclui as escolas estaduais, que a prefeitura não administra nem financia. Como a página mostra ao lado quanto do orçamento municipal foi para educação, usar o índice da rede pública creditaria à prefeitura um resultado que não é dela.
As etapas são separadas e não se comparam entre si. Anos iniciais (1º ao 5º) e anos finais (6º ao 9º) têm provas e escalas próprias, e as medianas dos dois conjuntos ficam a mais de um ponto de distância. Um número não é “pior” que o outro; eles medem coisas diferentes.
2005 e 2023 não têm meta, e travessão ali é ausência de alvo, não alvo não atingido. 2005 é a linha de base do índice; e o primeiro ciclo do IDEB encerrou em 2021, com as novas metas ainda em definição (Portaria MEC 26/2024).
Algumas edições aparecem marcadas como “com ressalva do INEP”. É o próprio INEP avisando que aquela média foi calculada em condição atípica — por exemplo, com participação inferior a 50% na prova, ou a partir de avaliações estaduais por extravio das provas. O número é publicado como veio, com o aviso junto.
Cobertura, contra os 5.571 municípios do país:
- 5.433 têm rede municipal nos anos iniciais — faltam 138.
- 3.906 têm nos anos finais — faltam 1.665, e essa é a diferença que surpreende: no Paraná, 388 dos 399 municípios não administram o 6º ao 9º ano.
Onde o município não administra aquela etapa, a rede é de outro ente — quase sempre a estadual. Conferimos: dos 138 sem rede municipal nos anos iniciais, 133 aparecem no próprio arquivo do INEP como rede estadual; cinco não aparecem em nenhuma das duas, e sobre esses não sabemos.
Isso não é lacuna da coleta, e a página do município e a do estado dizem isso onde acontece — ver meu município não aparece.
Quanto tempo o INSS está levando
O INSS publica, todo mês, os pedidos que ainda esperam resposta e os que foram negados. Com eles dá para medir duas coisas diferentes, e as páginas nunca as misturam:
- Há quanto tempo esperam os pedidos ainda sem resposta numa data. Não é “quanto demora”: quem foi atendido rápido já saiu da fila, e quem fica é quem está esperando mais.
- Quanto tempo levou para chegar o “não”, para quem teve o pedido negado no mês. É o único tempo até a decisão que os dados abertos permitem medir: os de benefícios concedidos não trazem a data do pedido.
Por tipo de benefício:
Os valores estão corrigidos pela inflação?
Não. Todos os valores em reais são nominais, exatamente como foram declarados. Quando a página diz que o gasto de um município cresceu 13% de um ano para o outro, parte disso é inflação.
Deflacionar exigiria escolher um índice e uma data-base, e essa escolha muda o resultado. Preferimos publicar o número declarado e dizer claramente o que ele é.
De quando são os dados
Cada número carrega a data em que foi coletado, ao lado dele, na página onde aparece. Não há dado sem procedência neste site.
- População e PIB: IBGE — Censo 2022, estimativa de população de 2026 e PIB municipal de 2023, a preços correntes. A estimativa e o PIB são atualizados quando o IBGE publica um ano novo (a estimativa sai em agosto; o PIB, em dezembro).
- Despesa com pessoal: SICONFI/Tesouro Nacional, RGF Anexo 01, 3º quadrimestre de 2024, coletado em 2026-09-04.
- Despesa por função: SICONFI/Tesouro Nacional, RREO Anexo 02, 6º bimestre de 2019 a 2024, coletado em 2026-09-04.
Meu município não aparece, ou aparece sem alguns números
O site cobre 5.571 municípios — todos os do Brasil segundo o IBGE. Se o seu não estiver, o mais provável é diferença de grafia na busca; tente pela lista completa ou pela página do estado.
Um caso é real e proposital: Fernando de Noronha tem página de município no IBGE mas é distrito estadual de Pernambuco, não município. Sem Executivo municipal, não entrega relatório fiscal — por isso aparece sem os números do Tesouro. As duas fontes estão certas: o IBGE conta território, o SICONFI conta quem presta contas.
Município que existe mas está sem os números fiscais provavelmente não entregou o relatório — ver por que aparece “—”.
E sem o IDEB é outra coisa, não a mesma ausência: o INEP publica por rede, e onde a prefeitura não administra aquelas escolas não há número municipal a publicar. Acontece em 138 municípios nos anos iniciais e em 1.665 nos anos finais — ver o que é o IDEB.
Quais municípios estão cobertos
Todos os 5.571 do Brasil, segundo a lista de localidades do IBGE. A coleta começou pelo Nordeste, com verificação de cada número, e foi estendida ao país quando o método já estava conferido — não antes.
Nem todo município aparece com todos os números, e a página sempre diz por quê. Um pode não ter entregue o relatório fiscal; outro pode não administrar escola de 1º ao 5º ano, e aí a rede é do estado. Ausência está sempre marcada — ver por que aparece “—”.
Como baixar e abrir os dados
Todo número deste site pode ser baixado. Um painel de dado público que só deixa olhar está pela metade — número que ninguém consegue baixar é número que ninguém consegue contestar.
- Base completa em planilha do Excel — os 5.571 municípios, com três abas: os dados, o que significa cada coluna, e de onde cada número veio.
- A mesma base em CSV — para quem vai ler por programa.
- Por estado — o link está no fim de cada página de estado.
- Por município — no fim de cada página de município, com uma linha por indicador e período.
Os arquivos usam ponto e vírgula como separador e vírgula como decimal, que é o que o Excel em português espera: basta abrir. Um CSV “padrão” internacional abriria com tudo amontoado numa coluna só.
Se você for reimportar em outra ferramenta, o arquivo é UTF-8 com BOM. Municípios que não entregaram relatório aparecem como nao na coluna de publicação — nunca como zero.
Posso usar estes dados?
Sim, e cada fonte diz em que termos. Os dados não são deste site: são de quem os publica, e é a licença de cada um que vale.
- SICONFI/Tesouro Nacional (gasto com pessoal, despesa por função e receita): publicados pelo Tesouro sob a Open Database License (ODbL) 1.0. A base que este site monta a partir deles, incluídas as planilhas para baixar, segue sob a mesma ODbL: pode usar, adaptar e redistribuir, citando a fonte e mantendo a licença no que publicar.
- IBGE e INEP (população, PIB, Censo 2022 e IDEB): dados abertos do governo federal, de livre utilização desde que se cite a fonte (Decreto 8.777/2016).
- SIOPS/Ministério da Saúde (aplicação em saúde): o Portal de Dados Abertos do SUS publica o conjunto sob a licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 3.0. O percentual de cada município aparece aqui como o SIOPS o publica.
O código do site é outra coisa: é software livre sob AGPL-3.0, que vale para o programa, e não para os dados.
Se for republicar, cite as fontes originais (IBGE, SICONFI/Tesouro Nacional, SIOPS/Ministério da Saúde e INEP), e não só este site. É delas que o número vem.
Achei um número errado
Há duas possibilidades, e vale separar antes de mais nada:
- O número aqui está diferente do que a fonte publica. Aí o erro é nosso, e queremos saber. Abra uma questão no repositório do projeto com o município e o número que você viu.
- O número aqui é igual ao da fonte, e a fonte é que está estranha. Aí o erro é da declaração, e nós não podemos corrigi-lo — seria inventar um valor. O caminho é a prefeitura ou o tribunal de contas do estado. Os casos mais gritantes já aparecem marcados como implausíveis.
Todo o código de coleta é aberto, então dá para conferir exatamente como cada número foi lido da API.
Onde perguntar o que este site não responde
Muita dúvida sobre estes dados não é sobre o site: é sobre o que o município declarou, ou sobre a regra que ele seguiu. Esses lugares respondem o que nós não temos como responder:
- SICONFI — Tesouro Nacional — a fonte dos relatórios fiscais, com todos os anexos, não só os dois usados aqui.
- IBGE / SIDRA — população, PIB e todas as outras estatísticas municipais.
- A prefeitura do município, pelo portal da transparência ou pelo pedido de acesso à informação (Lei 12.527/2011) — é quem pode explicar uma declaração específica.
- O tribunal de contas do estado — é quem fiscaliza as contas municipais.